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1/16/2019

Sérvia proíbe quintas de produção de peles de animais, salvando 12 mil chinchilas por ano

Já falei aqui que não entendo a proteção animal e veganos. Aqui no Brasil temos bem uns 100 criadores de chinchilas e seria facinho acabar com esta crueldade aqui. Mas, cadê que a galera se liga? custaram a se ligar no transporte de animais vivos em navios....  Tinha um grupo que estava metendo bronca sozinho no assunto, mas, perdi contato..... Minha memória anda rateando....
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O governo sérvio pôs termo à criação de

12/07/2018

Chanel deixará de usar pele de animais em coleções

Isto é para ser comemorado por todo nosso segmento, pois, é resposta de muito trabalho. 
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A marca de luxo Chanel não vai mais usar peles de animais em suas coleções, conforme anunciou nesta terça-feira (4). A empresa francesa baniu peles de animais exóticos, como de crocodilo, cobra e lagarto, da produção de roupas e acessórios. Em comunicado à imprensa, a marca declarou que a decisão foi baseada

9/19/2018

E os Maias, quem diria? Traficavam animais antes da chegada dos europeus

Bem, a gente sabia que estas civilizações faziam barbáries, mas daí a este ponto é uma surpresa..... Deus me livre destes demônios dos infernos.....
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Pesquisadores americanos encontraram evidências de uma rede de comércio de animais silvestres, que abastecia rituais e a produção de peles e artesanato da civilização Maia, que existiu entre o Sul do México e Honduras por centenas de anos,

6/17/2018

PELES - Burros africanos ameaçados de extinção

Temos falado muito sobre os burros que são esfolados quase vivos para serem vendidos na China. Isto acontece no mundo inteiro. Já falei aqui que precisamos acompanhar nos "interiores do Brasil" se esta máfia não está agindo aqui. Aqueles abatedouros na Bahia que matam burros precisa ser investigado.... Seria o fio da meada de uma investigação saber os compradores do couro de burro deles..... Vejam algumas postagens que já fizemos a respeito: 
2 - Burros espancados até à morte para uso em medicina tradicional chinesa -
3 - Chineses correm o mundo atrás do couro de burros
4 - Procura na China ameaça sobrevivência de burros em África
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O roubo e contrabando de burros em várias partes de África está a colocar esta espécie em perigo.
Burros roubados, abatidos e esfolados, tudo por causa da pele pois conteria um ingrediente essencial utilizado na medicina tradicional chinesa e muito procurado pelas mulheres para o tratamento de problemas de saúde que vão desde dores menstruais até problemas de sono.

"Vendemos todos os produtos feitos com gelatina de burro. Eles são produzidos pela companhia de gelatina Dong'e e o principal alvo são as mulheres mas também é bom para os rins dos homens. Enriquece o sangue das mulheres também", afirma uma vendedora chinesa na localidade de Dong'e, localidade chinesa na província de Shandong.

Em apenas uma década, a população de burros na China caiu para metade, são agora 5,5 milhões. A oferta não satisfaz a procura daí a necessidade de recorrer a África. Para as comunidades locais, isto representa um problema que é agravado pelo aumento do roubo e contrabando destes animais. Isto apesar de 14 países africanos já terem proibido a exportação de peles de burro.

"Outro problema é que os burros são animais que levam muito tempo para reproduzir. A gravidez demora um ano e do nascimento até atingirem a idade de reprodução são quase três anos", adianta o veterinário Calvin Solomon Onyango, gestor de programa do Santuário dos Burros no Quénia.

Neste santuário para burros no Quénia, a solução é simples. Há que proibir totalmente o comércio em peles de burros antes deste espécie entrar em extinção no continente, ou mesmo a nível mundial.

FONTE: euronews

5/19/2018

CONSCIENTIZAÇÃO NA MARRA: Kim Kardashian não vai mais usar seus casacos de pele

Demorou, mas, decidiu..... A galera fez uma pressão danada em cima dela..... hehehehe....
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Ela afirmou no Instagram que sua nova trend preferida é a pele falsa.
Ao que tudo indica, Kim Kardashian não vai mais usar pele.
Ela contou a novidade em um post em seu Instagram. Na foto, ela usava um top cortado com uma jaqueta com gola de pelúcia e, na legenda, afirmava: “Faux Fur… it’s my new thing.” (“Pele falsa… é meu novo interesse”).

Essa não é a primeira vez que a celeb flerta com o tecido sintético. Em fevereiro, ela posou para a revista ODDA com uma jaqueta de pelúcia e, na semana passada, anunciou no Snapchat que também usava um casaco fake durante um passeio em Las Vegas.

Uma publicação compartilhada por Kim Kardashian West (@kimkardashian) em

Ela não revelou o motivo pelo qual está deixando de usar pele verdadeira, mas no passado Kim foi muito criticada por isso. Em 2015, por exemplo, a sessão de autógrafos de seu livro foi interrompida por ativistas animais que falavam “você deveria se envergonhar de ajudar a indústria da pele animal.” Em 2012, ela também foi atacada com farinha pelo PETA.

FONTE: elle.abril

3/19/2018

Donatella Versace: “não quero matar animais para fazer moda”

A mulher é  meia assustadora, mas, é mais uma a deixar de usar peles em suas criações de moda...
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A Versace está deixando de usar pele animal em suas coleções.
Em uma entrevista para Luke Leitch, da The Economist 1843, Donatella Versace afirmou seu descontentamento com o uso de pele animal em suas criações. “Pele? Estou fora”, disse .“Não quero matar animais para fazer moda. Não sinto que isso é certo.”

As casas fashion tem repensado esse uso em suas criações. É o caso da Gucci, que não apenas parou de comercializar pelugem como deu statements valiosos sobre o tema, quando o presidente da marca, Marco Bizzarri, afirmou que usar pele é antiquado. Tom Ford, Givenchy e Michael Kors também deixaram esse uso de lado. Mas a decisão da Versace tem impacto diferente.

Além da marca ter evitado qualquer polêmica até então, a label tem uma imagem construída no luxo e no poder. Quando Versace não é mais sinónimo de um lugar no qual encontraríamos um casaco de pele, é preciso notar que as coisas na moda estão mudando de verdade.

Outros indícios disso são a guinada conscientemente política de Donatella Versace, que estampou as palavras união, amor, coragem e lealdade em sua coleção de primavera.

FONTE: elle.abril

3/07/2018

Campanha PETA: Dolce e Gabbana vendem pele de coelhos torturados. PARTICIPE.

Como sempre falo, assinar é  mínimo que podemos fazer para ajudar à estas ONGs a acabar com a crueldade contra os animais. Portanto, NÃO SE OMITA, por favor!!!!! em 1 minuto você pode ajudar a salvar um pobre animal!!!! 
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Os ativistas do grupo francês de direitos dos animais, L214, entraram recentemente nas fazendas "Orylag rabbit" e documentou as fileiras de gaiolas que confinavam centenas de coelhos que tinham apenas pisos sujos para ficar em pé e que nunca conseguiram respirar ar fresco ou ver a luz do dia.

Nunca ouvi falar de um "coelho Orylag" antes? Isso é provavelmente porque a raça foi inventada por seres humanos . Por quê? Para criar animais com pêlos macios e densos - e depois matá-los por isso. Os coelhos conhecem apenas a escuridão e a dor dentro de suas prisões minúsculas e decrépitas, onde foram deixadas por meses sofrendo feridas, desidratação, desnutrição e outras lesões e doenças.

Um em cada quatro coelhos morrem antes de serem agendados para serem mortos. Aqueles que sobreviveram são enviados para um abatedouro, pendurados pelas patas e então os trabalhadores cortam suas gargantas para drenarem o sangue dos seus corpos que se debatem nas engrenagens do abatedouro. Centenas de coelhos são mortos a cada hora no abatedouro visitado pelas testemunhas oculares L214.

A boa notícia é que centenas de designers progressivos e varejistas, incluindo Gucci, Michael Kors, Bottega Veneta, Ralph Lauren e Giorgio Armani, agora são 100% sem peles e usam alternativas luxuosas de peles sintéticas que não prejudicam animais. Mas Dolce e Gabbana se recusa a deixar de lucrar com essa miséria. Diga a Dolce e Gabbana para soltar o Orylag e vender apenas peles sintéticas.

Fonte: PETA

3/03/2018

Procura na China ameaça sobrevivência de burros em África

Alguém de nós precisa ver a quantas andam a questão da exportação de burros do Brasil para a China. Em breve estes traficantes de burros vão se achegar aqui no nordeste para fazer esta mesma limpeza satânica que estão fazendo na África, embora agora mais controlada.....
(Nosso dossier sobre o assunto)
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Muitos burros são roubados no continente africano para serem vendidos para a China, onde se acredita que uma gelatina extraída da pele do animal cura doenças como a impotência e a infertilidade.

Os burros de África estão a desaparecer. Como de costume, a culpa é do homem. Mas a causa não é, como muitas vezes quando se extingue uma espécie, a urbanização, a desflorestação ou a poluição. Desta vez trata-se pura e simplesmente de roubo. É que na China há quem acredite na superstição de que a gelatina derivada da cozedura de pele de burro cura doenças. E em África há quem esteja disposto a alimentar essa superstição a troco de dinheiro.

Akasoma James vive em Doba, uma pequena aldeia no norte do Gana. Tal como muitos outros, James é proprietário de vários burros. Precisa dos animais para sobreviver pois são eles que puxam o arado e lhe servem de meio de transporte. Mas Akasoma James tem um problema: "Já por várias vezes tentaram roubar os meus burros... mesmo do meu quintal. Uma vez vieram à noite e levaram todos os burros."

Grande procura na China
O motivo dos roubos é a elevada procura de burros na China. Manda a tradição e a superstição nesse país que o chamado "ejao", uma gelatina extraída da fervura de pele de burro, é boa para a pele e cura a impotência e a infertilidade.

Como a criação em massa de burros é muito difícil por motivos biológicos, os chineses voltaram-se para o continente africano. Países com fortes laços comerciais com o gigante asiático são agora os principais fornecedores. Simon Pope, da organização britânica de defesa dos animais "Santuário do burro", diz que inicialmente os proprietários africanos saudaram a procura chinesa.

"Quando os preços dispararam, muitos venderam os animais de que não precisavam. Há um enorme incentivo financeiro para a venda de burros." Mas quando mais ninguém quis vender começaram a acumular-se os casos de roubo, que retiraram a muitas pessoas a base da sua subsistência, diz Pope.

Governos africanos reagem
Os Governos africanos reagiram de forma diversa a esta crise. A Tanzânia proibiu o abate e a exportação de burros, numa tentativa de evitar a extinção. Uma medida eficaz que levou à queda de preços como afirma Simon Pope:

"O que significa que os agricultores e outros indivíduos já podem comprar os animais e os roubos diminuíram consideravelmente".

No Quénia o Governo autoriza o abate para a exportação. Há três açougues no país, mas ninguém sabe ao certo quantos burros por lá passam. A população começa a protestar, mas os críticos acreditam que Nairobi quer proteger os postos de trabalho e não pretende renunciar às receitas geradas pelas taxas alfandegárias.

Na Etiópia, protestos populares obrigaram o Governo a encerrar um matadouro chinês algumas semanas apenas após a sua inauguração. Mas muitas vezes os burros etíopes e de outros países acabam por ser transportados para o Quénia onde o abate é legal.

No Gana a lei proibe o comércio com pele de burro, mas esta praticamente não é implementada. Porém, face à crescente resistência por parte dos africanos, os principais produtores chineses de gelatina à base de burro prometem agora apostar mais na criação própria. Uma boa notícia para o burro africano.

FONTE: DW

2/11/2018

Tom Ford anuncia que irá parar de usar peles de raposa e vison em sua marca

Não deixou de ser um avanço, né? preferia que ele dissesse que ia deixar de usar qualquer pele de animal.... Qual a diferença de uma raposa para um coelho, um boi, uma cabra e outros tantos usados na alimentação?
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Designer afirmou que continuará usando couro e pele de animais que são criados para produção de alimentos

A nova tendência do mundo da moda é a pele falsa. Algumas das maiores marcas de roupas e acessórios do mundo, como Gucci, Calvin Klein e o grupo Armani, já estão produzindo coleções sem usar pele de animais. Agora, foi a vez do estilista Tom Ford, que possui uma marca que leva seu nome, anunciar que não usará mais pele de animais (como vison e raposa) criados para este fim.

A novidade começa na próxima coleção da marca que será apresentada nesta quinta-feira, 8, durante a Semana de Moda de Nova York. No entanto, o designer afirmou que continuará usando couro e pele de animais que são criados para produção de alimentos, como vacas e carneiros. Em entrevista ao portal WWD, Ford disse que sua decisão foi inspirada na sua nova dieta vegana, da qual é adepto desde o último ano. "Virar vegano faz você repensar, comecei a usar muito mais pele falsa, mas não estou pronto para dizer que estou livre do uso de pele", contou. "Mas nas minhas próximas coleções, estou limitando o uso deste material aos animais que vão virar comida. Isso significa couro de vaca e pele de ovelha, mas não pele de animais que são criado exatamente para isso."

Ele também acrescentou que não considera a pele sintética a melhor opção, por ser produzida a partir do petróleo e não ser biodegradável. "Eles compram, usam por algumas estações, e depois jogavam fora", explicou Ford. "Um casaco de pele é reciclado. As pessoas os usam por 30 anos, depois os dão para os seus filhos, que os transformam em travesseiros."

FONTE: epocanegocios

2/01/2018

"Milagroso" remédio chinês tem sido a morte para os burros

A alta demanda por ejiao, uma medicina tradicional feita a partir de gelatina extraída de peles de burro cozidas, levou a um aumento nos roubos do animal em muitos países

"Este é o local", disse Morris Njeru, olhando para um lote de terra onde recentemente encontrou os corpos ensanguentados de David, Mukurino e Scratch --seus últimos burros.

Njeru, 44, carregador do mercado que depende de seus animais para transportar produtos pela cidade, já havia perdido cinco burros no início do ano. Toda vez, os ladrões cortaram a garganta dos animais e arrancaram sua pele do pescoço para baixo, deixando a carne para os abutres e as hienas.

Quatro meses depois, tudo o que Njeru conseguiu achar dos animais foi um único casco, que guardou de lembrança.

Também na lembrança está a vida confortável que Njeru levava. Sem seus animais, sua renda caiu de cerca de US$30 (aproximadamente R$ 94) por dia para menos de US$ 5 (R$ 15). Ele não pode mais pagar o aluguel de uma pequena propriedade e acredita que será preciso tirar seu filho do internato.

"Minha vida mudou completamente. Eu dependia dos burros para alimentar minha família", disse ele.

Para Njeru e milhões de pessoas em todo o mundo, os burros são os principais meios de transporte de alimentos, água, lenha, bens e pessoas. Na China, no entanto, eles têm outro propósito: a produção do ejiao, um medicamento tradicional feito de uma gelatina extraída da fervura do couro de burro.

O ejiao era prescrito principalmente como suplemento para a perda de sangue e para equilibrar o yin-yang , mas hoje é procurado para uma série de males, desde retardar o envelhecimento e aumentar a libido até tratar efeitos colaterais da quimioterapia e prevenir a infertilidade, o aborto espontâneo e a irregularidade menstrual .

Mesmo o ejiao existindo há séculos, sua popularidade moderna começou a crescer em torno de 2010, quando empresas como a Dong-E-E-Jiao --a maior fabricante chinesa-- deram início a campanhas publicitárias agressivas. Quinze anos atrás, meio quilo de ejiao era vendido por US$ 9 (R$ 28); agora, custa cerca de US$ 400 (R$ 1.257).

À medida que a demanda foi aumentando, a população de burros da China --que já foi a maior do mundo-- caiu de 11 milhões para menos de 6 milhões, e algumas estimativas contam possivelmente apenas 3 milhões. As tentativas de reabastecimento dos rebanhos se revelaram um desafio: ao contrário de vacas ou porcos, os burros não se prestam à criação intensiva. As fêmeas produzem apenas um potro por ano e são propensas a abortos espontâneos sob condições estressantes.

Então, as empresas chinesas começaram a comprar couro de burro de países em desenvolvimento. De uma população global de 44 milhões, cerca de 1,8 milhão de burros são abatidos por ano para produzir o ejiao, de acordo com um relatório publicado no ano passado pelo Donkey Sanctuary, uma organização sem fins lucrativos com sede no Reino Unido.

"Há um enorme apetite por ejiao na China, que não mostra sinais de diminuição. Como resultado, os burros estão desaparecendo de comunidades que dependem deles", disse Simon Pope, gerente de campanhas da organização.

Em novembro, pesquisadores da Universidade Florestal de Pequim advertiram que a demanda chinesa por ejiao pode transformar os burros nos "próximos pangolins".

"A China escolhe importar burros de todo o mundo a alto custo, o que pode levar a uma crise potencial ", escreveram pesquisadores na revistas científica "Equine Veterinary".

A pele dos animais segue para a China oriunda de nações tão variadas quanto o Quirguistão, o Brasil e o México. Mas a África é o epicentro do comércio, tanto em termos de número de animais mortos quanto de impacto.

"Em 2016, o negócio dos burros eclodiu. Havia um número crescente de casos de pessoas que passavam pela área de Maasai, roubavam burros e os levavam para a fábrica de propriedade chinesa", disse Obassy Nguvillah, superintendente da polícia no distrito de Monduli, na Tanzânia, perto da fronteira do Quênia.

Em Esilalei --aldeia localizada em uma savana seca sob a supervisão de Nguvillah-- os moradores perderam quase 475 burros em um único ano. Cerca de 175 animais foram recuperados na perseguição aos ladrões pela mata, mas a polícia acredita que o restante foi vendido aos matadouros. Incapazes de adquirir outros exemplares, os antigos proprietários ainda estão se recuperando.

"Hoje, não estamos mais felizes porque nossos veículos, nossos burros, não estão mais aqui", disse Katasi Moko, que ficou com apenas um burro depois que quatro outros foram roubados.

Com cinco burros, Moko conseguia completar duas tarefas por dia: coletar água de poços distantes, por exemplo, ou buscar lenha. Mas, com apenas um animal, ela só tem tempo para uma tarefa, porque várias viagens de ida e volta são necessárias.

"Nossa carga de trabalho aumentou", disse ela.

Quatorze países africanos, juntamente com o Paquistão, promulgaram várias proibições contra o comércio internacional de burros. A Tanzânia juntou-se à lista em junho, citando preocupações de que os burros logo desapareceriam se o abate continuasse.

Rimoinet Shamburi, administrador da aldeia de Esilalei, disse que o roubo de burros diminuiu desde a proibição, mas não acabou completamente. Ele acredita que o comércio legal no Quênia é o culpado.

"As coisas ainda estão ruins porque há uma indústria em Nairóbi que apoia o roubo de burros", disse ele.

O preço das peles de burro cresceu 50 vezes em apenas dois anos

Ao contrário da Tanzânia, o comércio de couro de burro do Quênia não mostra sinais de desaceleração. Em 2016, o preço das peles era 50 vezes mais alto do que em 2014, enquanto o dos burros vivos quase triplicou, de cerca de US$ 60 (R$ 188) para US$ 165 (R$ 519).

Os três matadouros do país --todos com proprietários ou sócios chineses-- relataram o processamento de cerca de 100 mil burros em dois anos, de acordo com um memorando do governo. Tanto a pele como a carne são exportadas para a China, geralmente através do Vietnã ou de Hong Kong.

Dezessete comerciantes de pele também abriram lojas, principalmente em Nairóbi, e há rumores de que um quarto matadouro deve ser inaugurado. Os proprietários de matadouros insistem que estão melhorando o país, gerando empregos e pagando bons preços por burros desnecessários.

"O negócio ajudou muitas pessoas. Em vez de ter que vender vacas e cabras, os pastores Maasai estão vendendo burros para pagar as escolas dos filhos", disse John Kariuki, diretor do matadouro Star Brilliant Donkey Export, em Naivasha.

O matadouro Goldox Donkey, no condado de Baringo --o maior do Quênia, que diz processar cerca de 450 burros por dia-- também tenta mostrar boa vontade, fornecendo água gratuita aos vizinhos e pagando os gastos escolares de quatro crianças da comunidade.

Com descarte do resto dos animais, moradores da região reclamam de odores e contaminação da água
Os críticos argumentam que os benefícios são exagerados e que o comércio cria muitos problemas.
"Os burros estão sendo roubados e abatidos no mato ou transportados de forma errada, sem documentação adequada ou padrões de saúde pública", disse um veterinário queniano que pediu para permanecer anônimo por medo de represálias de superiores do governo.

"Todos nós --os proprietários de burros, os profissionais veterinários-- somos contra o comércio, mas o governo não está interessado porque isso lhe garante renda."

De acordo com o censo mais recente em 2009, o Quênia tinha cerca de 1,8 milhão de burros que ajudavam cerca de 10 milhões de pessoas. Quando a próxima contagem for publicada, em 2019, Solomon Onyango, gerente de desenvolvimento de programas para ciência veterinária no Donkey Sanctuary Kenya, acredita que esse número terá diminuído significativamente.

"A população de burros do Quênia não pode sustentar essa demanda", disse Onyango.

De acordo com a organização, a intensa demanda já está afetando os países vizinhos; os burros às vezes são trazidos para o Quênia vindos de Uganda, da Somália ou da Tanzânia.

Silas Chesebe, um intérprete da Goldox, confirmou que os animais comprados pelo matadouro às vezes atravessavam fronteiras. "Eles vêm de toda parte, inclusive da Tanzânia", disse ele.

Em um esforço para se proteger contra a compra de burros roubados, acrescentou ele, a Goldox exige que seus vendedores obtenham dois documentos "sem objeção" assinados por um inspetor de carne do governo local e de um agente de aquisição. O agente de aquisição que emite o primeiro documento, no entanto, é um funcionário da empresa.

Chesebe explicou que o matadouro também limita suas compras de peles secas às vendidas pelo povo Turkana --porque, segundo ele, "todos sabem que apenas os turkana comem burros"-- e para peles novas de vendedores que dizem que seus animais morreram a caminho do matadouro.

Onyango afirma que nenhuma dessas regras é suficiente para garantir que os burros e as peles sejam legalmente adquiridos.

Em alguns casos raros, os proprietários que vivem perto dos matadouros identificaram e resgataram seus animais com sucesso. Por conta disso, Lu Donglin, diretor da Goldox, anunciou em outubro que o matadouro começaria um processo de checagem de três dias, permitindo que a empresa recupere o pagamento caso burros roubados sejam recuperados pelos moradores.

Kariuki, da Star Brilliant, concordou que o roubo é um problema e disse que agora exige que os vendedores tenham permissão de transporte do departamento veterinário do Quênia.

"Faço o melhor possível para acabar com o roubo, porque é muito triste quando uma mulher pobre vem aqui chorando dizendo que perdeu o burro do qual dependia para carregar água. Eu realmente me sinto mal com isso e desencorajo o roubo."

Porém, as queixas sobre os matadouros se estenderam para além do seu papel no incentivo ao roubo. Os burros geralmente chegam em condições horríveis, alguns com pernas quebradas ou feridas infestadas de larvas, e muitos quase morrendo de fome. As queixas de crueldade apresentadas pela Sociedade de Proteção e Cuidados com os Animais do Quênia --incluindo alegações de que os burros foram mantidos durante dias no sol e chuva sem sustento-- levaram o governo a fechar o Star Brilliant por um mês.

"Não há incentivo para fornecer alimentos, água ou cuidados veterinários. A situação é absolutamente horrenda do ponto de vista do bem-estar animal", disse Pope.

Os burros que morrem na estrada, acrescentou, muitas vezes têm a pele retirada no local e suas carcaças são abandonadas para apodrecer.

Restos de burro são jogados em área externa de matador de Naivasha (Quênia)

Na verdade, a eliminação de resíduos se tornou um grande problema. No final do ano passado, a Goldox começou a despejar restos de burro em um terreno que comprou na aldeia de Chemogoch, no fim da estrada de seu matadouro.

Depois que os moradores que viviam ao lado do local se queixaram, a empresa começou a enterrar os resíduos em vez de deixá-los ao ar livre. Mas os vizinhos dizem que a situação ainda é inaceitável, acusando a empresa de contaminar as águas subterrâneas e propagar doenças.

Em uma visita recente ao local de despejo, vários poços profundos e abertos aguardavam os restos de burros, enquanto outras áreas estavam cobertas de terra revirada recentemente. Crânios, costelas, vértebras e ossos da perna dos animais estavam espalhados na grama e na sujeira. Um cheiro putrefato infestava o ar, e os abutres circulavam no alto.

Evans Kiprop, agricultor cuja casa fica a poucos metros de distância, afirma que suas vacas desenvolveram problemas nos cascos e nos olhos como resultado da poluição, e que sua produção de leite caiu de 30 litros diariamente para cerca de 9 litros. Ele disse que os mabecos, ou cães selvagens, agora se reúnem aqui, arrastando restos de burro para áreas onde seus filhos brincam, suscitando preocupações com segurança, saneamento e raiva.

"Nós não queremos mais comer ou dormir aqui. Estão transformando nossa aldeia em aterro", acrescentou Koros Kipkoech, outro vizinho.

À medida que as frustrações crescem, os donos de burros e a Associação Veterinária do Quênia realizaram protestos em Nairóbi e em outras cidades. Em julho, Njeru e mais de mil outras vítimas de roubo pediram a interrupção imediata do comércio de couro de burro em uma petição entregue ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Quênia, que regula o setor.

"As pessoas estão roubando e vendendo burros roubados, mas o governo não está ajudando. Relatei o crime à polícia, que não tomou nenhuma providência", disse Njeru.

Os funcionários do Ministério não responderam aos pedidos de entrevista, mas um memorando emitido em setembro não dá indícios de que as autoridades planejam acabar com o comércio. Em vez disso, afirma que a indústria oferece grandes oportunidades de emprego e potencial para o desenvolvimento econômico, uma conclusão que Onyango e outros críticos contrariam.

Devemos entrar no negócio de cocaína ou na venda de presas de elefantes só porque dá dinheiro? Não se pode permitir o comércio apenas em nome de um negócio que prejudica as pessoas." 

FONTE: jornalfloripa

1/05/2018

Doninha eleita animal do ano na Suíça

Pelo amor de toda bicharada!!!! tem coisa mais bonitinha? saber que uns malditos humanos tiram a pele destes seres lindos para fazer casaco.... 
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A doninha de cauda curta, também conhecida como arminho, foi escolhida como animal suíço do ano pela organização de conservação da natureza, a Pro Natura.

O pequeno mamífero costumava ser encontrado em toda a Suíça, mas seu habitat, localizado em regiões até 3.000 metros acima do nível do mar, tornou-se ameaçado nos últimos anos.

Em média, o arminho pesa cerca de 30 gramas e mede cerca de 30 centímetros de comprimento e se alimenta principalmente de pequenos roedores.

Essa espécie de doninha é protegida na Suíça, mas não é considerada uma espécie em extinção, de acordo com Pro Natura. O ser humano é o principal inimigo do animalzinho, reduzindo seu habitat natural através da construção e do uso da terra.


A organização de conservação está pedindo o restabelecimento de uma rede de habitats não só para o arminho, mas também para outras espécies de animais e plantas, de acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira (3).

A pele do arminho era popular na indústria da moda no passado, mas já não é mais tão procurada, diz a Pro Natura. A organização procura conscientizar sobre os animais selvagens do país há mais de 20 anos através da iniciativa "animal do ano", entre outras.

FONTE: swissinfo

12/26/2017

Loja que vende peles, manifestação e vídeo de raposinha que foi resgatada

Queria mostrar uma raposinha resgatada da indústria de peles, uma manifestação na Espanha e denunciar uma loja que vende casacos de pele chamada Farfetch. O site deles é ESTE  e o facebook é ESTE . Já mandei meu recado..... 
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Espanha: 'Quantas vidas para um casaco?'
Ativistas dos direitos dos animais criticam a moda. Ativistas do grupo de direitos pró-animais Anima Naturalis organizaram um protesto em Madri, no domingo, contra o uso de peles de animais.

Fonte: LiveLeak

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11/22/2017

Dinamarca tem rainha e príncipes amantes da caça e peles alem da matança de golfinhos

Na sexta-feira passada, o Globo Repórter apresentou um documentário sobre a Dinamarca. Eu  pretendo encontrar um tempinho p´ra ver neste link. Agora, como nada neste mundo é perfeito, aqui estão as informações de que este povo tem uma rainha que adora peles e seu filho caçadas..... Que tristeza, não? Fora a questão das Ilhas Faroé que eles insistem em dizer que fazem parte do território do país, mas, que ela tem governo próprio. Lembrando que naquela ilha rola aquela matança de golfinhos e baleias. Confiram nosso dossier a respeito aqui.
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Entre novembro de dezembro a Rainha, seu marido e filhos organizam uma caçada. Eles cumprimentam os caçadores e tudo vira uma festa só..... CONFIRAM AQUI. O  Palácio Eremitage é a sede da caça em todo reino. Imaginem só!!!!





11/19/2017

IMPERDÍVEL: Amazônia, história de um massacre. Um milhão de animais mortos no século 20

Para quem leva a sério representar a causa animal, sugiro a leitura desta matéria!!!!!o quanto o Brasil contribuiu para o uso de peles em casacos na Europa e tudo mais. Matéria excepcional!!!!! Divulguem!!!! As imagens que coloquei são das espécies vendidas.
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Documentos históricos revelam: até um milhão de animais foram mortos por ano no século 20, para abastecer mercado mundial de peles. Congresso estuda reabrir a caça.

Foram necessários vinte dias de viagem para percorrer os três mil quilômetros desde o ponto de partida. Durante a Segunda Guerra Mundial, atracado ao porto do derradeiro seringal, o imponente barco a vapor Rio Aripuanã desembarcava os seus últimos passageiros e bens industrializados provenientes de Manaus, enquanto se reabastecia de produtos extrativistas e passageiros oriundos das florestas do Rio Iaco, no alto Rio Purus.

Todo o movimento era minuciosamente registrado pelo finado comandante Fortunato Lopes em guias de embarque e manifestos de cargas. Com essas guias, a J.G. Araujo Ltda. fazia o controle de caixa do maior império econômico da Amazônia durante o século XX. Também era nesses registros que a Manáos Harbour – empresa inglesa concessionária dos serviços portuários – organizava seus quadros estatísticos anuais, com a relação de todas as mercadorias embarcadas e desembarcadas no Porto de Manaus.

A documentação histórica arquivada durante os opulentos ciclos econômicos extrativistas tem sido desbravada e analisada à luz da ecologia histórica da Amazônia. A partir dos documentos e de relatos de alguns de seus protagonistas, o comércio internacional de peles silvestres na Amazônia, que se estendeu por quase todo o século passado, foi reconstruído e os seus efeitos sobre a fauna foram revelados.

Pelo menos duas dezenas de espécies de mamíferos e répteis silvestres pautavam a praça comercial de Manaus e Belém: onça-pintada, maracajá-açu, maracajá-peludo, ariranha, lontra, queixada, caititu, veado-vermelho, capivara, peixe-boi, jacaré-açu, anta, cutia, mucura d’água, tamanduaí, jacaré-tinga, iguana, sucuri, jiboia, jacuraru e jacuruxi. Estima-se que entre 1904 e 1969 foram legalmente caçados mais de 20 milhões de animais nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, sendo que as 11 primeiras espécies movimentaram cerca de 500 milhões de dólares corrigidos. Esses números são certamente subestimados, pois desconsideram as peles contrabandeadas e aquelas não aproveitadas devido ao mau estado de conservação. Além disso, é impossível estimar quantos animais foram fatalmente feridos por caçadores, mas que não tiveram suas peles extraídas.


No final do século XIX, o ciclo da borracha transformou a fundo a economia e a sociedade amazônicas. Cerca de meio milhão de colonos migraram para a região; uma imensa frota de navios a vapor surgiu para o transporte de bens industrializados, produtos extrativistas e passageiros; o sistema de crédito conhecido por aviamento adaptou-se e alastrou-se, estendendo-se desde as casas aviadoras e exportadoras de Manaus e Belém até os seringais do interior.

Quando as plantações do sudeste asiático jogaram para o chão os preços da borracha em 1912, todo esse sistema entrou em colapso. Quem não foi à falência foi obrigado a encontrar produtos substitutos. Foi então que o comércio internacional de peles e couros de animais, antes irrelevante, cresceu vertiginosamente, abastecendo os mercados dos Estados Unidos, Europa e Sul-Sudeste do Brasil. Nesses destinos, os couros eram industrializados e transformados em bolsas, calçados, carteiras, luvas e nos famigerados casacos de pele.


Na década de 1900, quando pouco mais de mil peles silvestres passaram anualmente pelo porto de Manaus, a atividade de caça era focada no veado-vermelho (Mazama americana). Na década seguinte, já incluindo outras espécies, esse número saltou para 15 mil. Na década de 1920, já eram 50 mil peles por ano. A alta demanda dos países ricos colocou a atividade como a terceira mais importante para o erário amazonense no fim da década de 1930. Estima-se que em 1939 um milhão de peles silvestres tenham sido legalmente comercializadas nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. É nesse momento que o jacaré-açu (Melanosuchus niger), uma espécie que iria aumentar ainda mais a escala do comércio e estender a atividade para a várzea da Amazônia, entra no mercado.

Com o aumento no preço da juta, muitas famílias se mudaram para as várzeas ao longo do Solimões e Amazonas, principal habitat do jacaré-açú. Aparecem os primeiros curtumes especializados na industrialização de couros. Entre os curtumes instalados em Manaus, destacaram-se o Crocodylo (décadas de 1930 e 1940), o Mago (décadas de 1940 e 1950) e o Canadense (décadas de 1960 a 1980) – indústrias que detinham alta tecnologia tcheca e alemã, importada via Buenos Aires e Montevidéu. Após o tratamento industrial, o quilograma do couro curtido de jacaré-açu atingia mais de dez vezes o valor da pele salgada.

A Segunda Guerra Mundial representou um capítulo à parte. Se por um lado a demanda europeia por couros amazônicos foi reduzida, a norte-americana não sofreu qualquer abalo. Ao contrário, parece ter aumentado à medida que sua indústria e sua sociedade de consumo prosperavam como resultado do crescimento econômico exorbitante proporcionado pelo conflito. Além disso, com a invasão do sudeste asiático pelo Japão, o abastecimento mundial de borracha foi seriamente comprometido e a atenção mundial se voltou novamente às regiões extrativistas da goma amazônica.

O Acordo de Washington, firmado em 1942 entre os Estados Unidos e o Brasil, previu a reestruturação da cadeia produtiva da borracha na Amazônia. De um lado, os Estados Unidos investiriam enormes capitais na reestruturação dos seringais, no afluxo de mão de obra extrativista para a região e no reaparelhamento da frota fluvial. Em troca, todo o excedente de borracha produzido pelo Brasil seria exportado exclusivamente para os Estados Unidos. O governo brasileiro criou o Banco de Crédito da Borracha, que em teoria deveria realizar todas as operações comerciais que envolvessem o material. Um contingente estimado entre 35 e 80 mil soldados da borracha, oriundos do semiárido brasileiro, foi enviado para as regiões mais produtivas, em especial aos estados do Acre e do Amazonas.

A grande maioria dos produtos amazonenses de origem extrativista não foi contemplada no acordo de Washington, focado unicamente no látex. Com isso, durante o conflito mundial a exportação de produtos como a castanha ou o pau-rosa, que geravam divisas significativas, foi interrompida. É provável que as casas aviadoras, tendo perdido grande parte de suas fontes de lucro com as restrições de importações pelos Estados Unidos, tenham se voltado para um dos poucos produtos que mantiveram uma demanda estável e cujos preços seguiram em ascensão: os couros e as peles silvestres.


Especialmente a partir da década de 1950, a moda “selvagem” passaria a figurar nas passarelas das principais capitais europeias e norte-americanas. Casacos de pele se tornariam símbolos de luxo e objetos de desejo e poder entre mulheres que se dispusessem a pagar até 20 mil dólares por uma peça confeccionada com as peles de três ou quatro onças-pintadas, de oito maracajá-açu ou ainda  de 12 a 14 maracajás-peludos. A tendência gerou um boom nos preços e fez com que o comércio de peles chegasse ao seu segundo pico na Amazônia.

Regionalmente, esse período é conhecido como época da fantasia, referência ao nome genérico das peles de luxo, como a da onça-pintada (Panthera onca), do maracajá-açu (Leopardus pardalis), do maracajá-peludo (L. wiedii), da ariranha (Pteronura brasiliensis) e da lontra (Lontra longicaudis). Qualquer velho caçador do interior da Amazônia lembra que, nas décadas de 1960 e 1970, uma pele de primeira (ou seja, sem furos de chumbo, bem limpa e conservada) de onça, maracajá ou ariranha era trocada por uma espingarda nova com uma caixa de cartuchos. Nesse momento, difundiram-se pelo interior da Amazônia os gateiros, caçadores profissionais especializados em felinos que se utilizavam principalmente dos currais, como eram conhecidas as armadilhas artesanais e iscadas com carne de caça para capturar os animais.


No calor do debate global em torno do comércio internacional de animais e plantas silvestres – iniciado durante a década de 1960 por membros da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) – dezenas de países assinaram, em 1973, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES). Esse acordo previa maior regulação no comércio mundial da fauna e da flora que abasteciam a fome norte-americana e europeia por recursos naturais, representando uma importante mudança no que diz respeito ao uso e à conservação dos recursos naturais renováveis. No Brasil, o movimento também vinha ganhando força e, após anos de embates entre conservacionistas e exportadores de couros, a Lei da Fauna foi publicada no ano de 1967, proibindo a caça em todo o território nacional e o comércio de produtos oriundos da fauna.

A pressão comercial intensa entre as décadas de 1930 e 1960 deixou profundas marcas na Amazônia, muitas delas ainda em cicatrização. Os documentos históricos e as análises subsequentes revelam diferentes respostas populacionais, entre as espécies terrestres e aquáticas, à caça comercial do século XX.

A despeito dos altos valores das peles de ariranha e jacaré-açu no fim da década de 1960, a produção de suas peles nesse período não representou mais do que 10% dos picos de produção das décadas de 1930 e 1940. A lontra, por outro lado, menos cotada no mercado internacional, se mostrou mais resiliente do que a ariranha, possibilitando uma produção relativamente alta na década de 1960. A partir de 1963, o jacaré-tinga, espécie até então ignorada pelo mercado, passou a substituir o jacaré-açu à medida que este último foi se tornando extinto.

A demanda por couro de peixe-boi (Trichecus inunguis) se estendeu até a década de 1950, quando os produtos para os quais esta espécie se destinava, tais como mangueiras, correias e taquetes industriais, passaram a ser produzidos a partir da borracha sintética. A demanda local por carne de peixe-boi, no entanto, manteve-se até pelo menos a década de 1970 (quando cessaram os registros!). A quantidade de animais disponíveis foi progressivamente minguando, e o número de animais comercializados também não voltou a atingir mais do que 10% da produção de 1930. Nem mesmo o maior dos roedores, a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), com hábitos semiaquáticos e uma taxa reprodutiva relativamente elevada, parece ter escapado à sobre-exploração nas várzeas amazônicas.

Esses padrões são constantemente verificados nas conversas com anciões no interior da Amazônia. “Aqui no Rio Jaú, a coisa mais difícil de ver era uma ariranha ou um jacaré-açu. De vez em quando aparecia alguém vendendo uma pele de ariranha, caçada em algum igarapé lááá no alto Rio Jaú”, recorda-se o Sr. Sebastião. É comum que indígenas e ribeirinhos com cerca de 30 anos só tenham conhecido a ariranha quando jovens: “A primeira vez que vi uma ariranha, tive medo, pensei…que diabo é aquilo?”, relembra o Sr. Francisco, morador do Rio Tapauá. Se, por um lado, as ariranhas foram localmente extintas em diversas regiões da Amazônia, por outro, seu retorno recente evidencia a capacidade de recuperação populacional.


Nos picos do comércio de peles, era comum que toneladas de carne apodrecessem sem proveito – um trágico banquete para os urubus e as piranhas. Trata-se de um bom exemplo do desastre da falta de regulamentação e controle do uso de recursos que, apesar de renováveis, se explorados comercialmente em regime de livre acesso podem não ter a capacidade de recuperação populacional condizente com a extração sustentável.

História semelhante foi protagonizada pelo queixada (Tayassu pecari), o único ungulado florestal (grupo de mamíferos com casco nas extremidades dos membros), que vive em grupos enormes. Exímio prestador de serviços ecossistêmicos, o queixada influencia a estruturação florística da floresta, regulando a abundância de espécies vegetais ao predar e pisotear sementes e plântulas, transformando totalmente o solo da floresta após sua passagem. Além disso, ele consiste no principal item da dieta da onça-pintada e, em grande parte da Amazônia, das populações humanas. Mas se o queixada poderia ser resiliente à caça de subsistência, ele não foi à caça comercial do século XX.

Nesse período ocorreram enormes estragos aos seus bandos. Quando uma vara de queixadas era encontrada por caçadores especializados em peles, era com frequência quase totalmente dizimada, especialmente quando flagrada atravessando um rio. Obviamente, essa não era uma prática comum à grande maioria dos caçadores da Amazônia. Muitos deles condenavam esse “crime”, pois sabiam que “faltaria no futuro”. De fato, a produção de peles de queixada foi gradualmente caindo à medida que a espécie desaparecia de diversas regiões da Amazônia durante o período da caça de peles. A produção no fim da década de 1960 foi de apenas 30% daquela de 1930.

Ainda assim, muitas espécies terrestres (incluindo o queixada) mostraram-se muito mais resilientes à exploração comercial do que as espécies aquáticas, a despeito de seus níveis de extração mais altos. Isso pôde ser verificado pela próspera produção de várias espécies terrestres durante a década de 1960, em resposta à aceleração dos preços de suas peles. Dentre elas destacam-se o caititu (Pecari tajacu) e o veado-vermelho (Mazama americana), cujas produções no segundo pico, de 1965 a 1969, foram ainda maiores do que no primeiro, no final da década de 1930. Até mesmo a produção de peles de onça-pintada e maracajás cresceu durante a década de 1960, indicando que suas populações estavam no geral saudáveis.

Os diferentes níveis de resiliência entre as espécies aquáticas e terrestres à caça comercial parecem resultar dos padrões espaciais distintos de acessibilidade humana à fauna nestes dois ambientes. A grande maioria da população amazônica concentra-se historicamente em comunidades e aldeias ao longo dos rios ou igarapés. Os ambientes aquáticos, além de proporcionalmente menores em relação à terra firme, são acessados via embarcações, que permitem ao caçador navegar maiores distâncias e carregar grandes volumes de produção e, quando menores, possibilitam a exploração de cada trecho de rios, igarapés, lagos, várzeas, igapós, paranãs.

Já no mundo terrestre, as habitações esparsas ante a imensidão da floresta e o modo de forrageio central dos caçadores possibilitaram a sobrevivência de grandes populações animais mesmo em momentos de intenso comércio de peles. Como a movimentação pela floresta se dá basicamente a pé (às vezes intercalada com canoas), o acesso à fauna pelo caçador torna-se espacialmente restrito. Pense, por exemplo, no que é carregar um animal como um veado-vermelho, que pode atingir 50kg ou mais, por cinco quilômetros em meio à floresta (é verdade que, muitas vezes, as carnes eram deixadas para trás – e para somar esse peso um caçador poderia juntar cerca de 33 peles de veado-vermelho, ou 45 peles de queixada, o que significava um impacto muito maior).

As áreas afastadas das ocupações humanas configuram verdadeiros refúgios, onde os animais podem se reproduzir livremente. O excedente de indivíduos procriados acaba por contrabalançar a intensa caça próxima às comunidades e aldeias. Esse sistema de refúgios e áreas de caça é um dos principais mecanismos pelos quais a sustentabilidade da caça vem sendo mantida há séculos na Amazônia. Os refúgios mantiveram-se pela dificuldade de acesso na imensidão amazônica.

Entretanto, durante a maior parte do período marcado pelo comércio de peles, o desmatamento na Amazônia ainda era coisa do futuro. Desde a década de 1970, a abertura de rodovias transcontinentais, como as BR-230, 163, 319, 174 e 364, vem expandindo a fronteira desenvolvimentista, trazendo consigo formas de colonização e de uso da terra na maioria das vezes incompatíveis com a capacidade de resiliência da fauna e da flora. O resultado é que, nos últimos 50 anos, pelo menos 20% da floresta desapareceram.

A conversão da floresta em extensas áreas de pastagem e monoculturas de soja, associada à abertura de rodovias e ramais, além de diminuir o efetivo populacional da fauna, aumenta o acesso às áreas remotas que até então se caracterizavam como refúgios. O mecanismo que garantiu a resiliência da fauna até mesmo nos tempos áureos da caça comercial na Amazônia passa a ser de tal forma colapsado que não poderia mais sustentar as populações da fauna e os papéis ecológicos desempenhados por ela.


Os efeitos negativos da caça de animais selvagens são abordados por inúmeros trabalhos científicos. A remoção de indivíduos reduz o efetivo populacional, podendo causar, em alguns casos, efeitos em cascata na cadeia trófica, comprometendo funções vitais para a manutenção do ecossistema, tais como a dispersão e a predação de sementes, a polinização e a regulação do tamanho populacional das presas através da predação, entre outros.

Pensemos, por exemplo, na quase extinção local de uma espécie como o queixada, responsável por transformar o solo da floresta durante sua passagem. Seu desaparecimento completo refletiria diretamente na composição e na estrutura florística da floresta. E o que aconteceria com as populações da onça-pintada, seu principal predador? Talvez os caititus, mais resilientes à caça, se aproveitassem da ausência de sua espécie-irmã, que outrora limitava sua abundância por exclusão competitiva (os caititus são menores em tamanho corpóreo e na extensão dos grupos), e as onças pintadas tivessem que mudar sua dieta. No ritmo atual de desmatamento, que é oposto ao do investimento em pesquisas de base, é bem provável que muitas áreas sejam perdidas antes de verificarmos essas hipóteses, assim como tantas outras.

Embora a caça de subsistência certamente reduza as populações animais, em especial daquelas com taxa reprodutiva mais lenta, tais como a anta, o peixe-boi e os macacos barrigudo e aranha, nenhuma espécie parece ter sido caçada até a extinção na Amazônia. A extinção da megafauna na Amazônia ainda é objeto de especulações e não pode, por falta de estudos sobre o assunto, ser atribuída unicamente à caça. Há indícios de que as mudanças climáticas e ambientais do Pleistoceno tenham tido um papel importante nesse sentido.

Desde a chegada de humanos na Amazônia, há mais de 10.000 anos, a caça e a pesca vêm provendo as únicas fontes de proteína de origem animal, cruciais à sobrevivência de centenas (ou milhares) de povos indígenas e, mais tarde, dos ribeirinhos. Além disso, a caça integra a estrutura social e religiosa dessas populações, que conhecem a ecologia e a história natural de nossa fauna como ninguém. Por isso, o manejo da caça na Amazônia interfere enormemente tanto na conservação da fauna quanto na cultura e soberania alimentar do povos que ali vivem.

O bem-estar humano e os modos de vida tradicionais das populações ribeirinhas e florestais, indígenas ou não indígenas, têm sido reconhecidos por um farto arcabouço legal no país. Ele inclui a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre Povos Indígenas e Tribais. Esta última explicita que “os direitos dos povos em questão aos recursos naturais existentes em suas terras deverão ser especialmente protegidos”. Esses direitos são ainda assegurados por diversos outros marcos legais, como Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o Plano Nacional de Áreas Protegidas, o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. No caso específico dos indígenas, a caça é garantida pelo Estatuto do Índio.


Certamente a caça de subsistência requer maior regulamentação e de alguma forma isso vem sendo proposto no Projeto de Lei 6268/2016. No entanto, tendo em vista os atuais retrocessos nos poucos avanços socioambientais conquistados nas últimas décadas, incluindo flexibilização das leis ambientais, redução dos direitos indígenas, interrupção nos processos de demarcação de terras indígenas, diminuição das áreas protegidas previamente estabelecidas e aumento das mortes no campo, o que parece estar em jogo nesse PL não é a conservação da fauna ou os diretos dos povos tradicionais da Amazônia, mas um projeto que visa a obtenção do lucro às custas da fauna e o “controle” populacional das espécies silvestres em prol dos rebanhos que pastam as paragens outrora cobertas por florestas. A revogação da Lei de Proteção da Fauna nesse momento é preocupante, especialmente porque os dispositivos previstos pelos instrumentos jurídicos atuais já são passíveis de regulamentação da caça de subsistência.

Ainda que a Lei de Proteção à Fauna publicada em 1967 proíba a caça em todo o território nacional em seu primeiro artigo, ao especificar que é proibida a “utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha” da fauna silvestre, o primeiro parágrafo do mesmo artigo abre a possibilidade de manejar a fauna através da caça, explicitando que “se peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, a permissão será estabelecida em ato regulamentador do Poder Público Federal”. E alguns estudos têm demonstrado a capacidade de resiliência da fauna ante à caça. Passados 50 anos, o Estado negligencia o manejo da fauna através da caça, ao manter sua proibição irrestrita a partir de uma visão exclusivamente preservacionista. Assume-se assim a possibilidade de as populações que tradicionalmente usam a fauna e vivem à margem do mercado passarem fome, uma vez que não há qualquer outra fonte de proteína ao alcance desses grupos. Ainda que alguns advoguem em favor dos “incentivos” à criação de animais domésticos, como porcos e galinhas, a situação é um tanto mais complexa, e esse tipo de imposição pode ser igualmente autoritária, em especial aos povos que vêm “criando” e usando os animais silvestres in situ à sua forma.

Os povos tradicionais tem lidado com declínios populacionais da fauna em decorrência da sobrecaça há séculos. Formas empíricas de minimizar os impactos da caça estão muitas vezes impressas na cultura das populações tradicionais. As ferramentas tradicionais de manejo dos estoques populacionais animais incluem os receios aos donos da caça, tabus alimentares, locais e períodos sagrados, resguardos, xamanismo e seleção de presas, entre outros. Embora ignoradas pela maioria dos gestores e ecólogos de fauna, essas instituições locais têm muito a nos dizer a respeito da resiliência das espécies à extração, e deveriam ser consideradas na construção do zoneamento, acordos locais de caça e programas formais de manejo.

Se os direitos de acesso aos recursos locais fossem de fato reconhecidos e implementados, através do manejo comunitário, com bases científicas e boa governança, passaríamos a saber muito mais sobre os efeitos da caça de subsistência sobre as diferentes populações de animais silvestres. Há espécies com diferentes níveis de resiliência, que habitam ambientes com produtividades e impactos humanos muito variáveis, e que são usadas de formas distintas por centenas de culturas. As possibilidades de manejo de cada espécie sob diferentes cenários são distintas, e é preciso entender a complexidade de cada contexto local.

Bem como os serviços básicos ao bem-estar social, como educação e saúde, a soberania alimentar através do manejo da fauna, seja através da caça ou da pesca, deveria ser institucionalizada pelo Estado, para então tornar-se programa de governo. Os resultados da regularização seriam, além da ampliação do conhecimento sobre nossa fauna, a mobilização e o empoderamento das populações tradicionais, a redução dos riscos de subnutrição destas populações e, inclusive, a minimização dos impactos da caça. 

FONTE: outraspalavras

11/02/2017

O elixir chinês "milagroso" que ameaça burros ao redor do mundo

Já fizemos várias postagens sobre o abuso promovido pela China para conseguir peles de burro pelo mundo inteiro. Confira. Aqui no Brasil, em 2015, publicamos Exportação de jumentos para China geraria receita de US$ 3 bilhões e esta receita está entrando direto porque estão considerando jumentos com a mesma qualidade dos burros na produção desta gelatina que eles produzem. Conheçam o The Donkey Sanctuary, uma ONG que luta  contra este maldito comércio.
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A demanda chinesa de gelatina de burro está acabando com as populações de burro chinês e africano, colocando o preço dos animais fora do alcance dos agricultores que tem os animais como forma de subsistência.

Era um período de dor de período mestrual que levou  Liu Yanan experimentar a gelatina de burro. A jovem de 13 anos estava visitando a família em Pequim quando suas cólicas começaram pela primeira vez. Sua tia tirou de dentro de uma caixa ornamentada uma pequena porção e misturou-a em uma panela de mingau de arroz açucarada.

O medicamento era ejiao, um medicamento chinês feito de peles de burro e usado há mais de 2.500 anos. Yanan hesitou antes de comer a mistura, mas confiava em sua tia e queria aliviar a dor. "Eu me senti confortável depois. Meu corpo estava quente ", diz ela. "Eu usei por um mês e o problema foi embora".


Isso foi de volta em 2004, e desde então a indústria chinesa de ejiao se transformou em um megabusiness global. O que antes era um humilde tônico sanguíneo para condições como a anemia - que nunca foi aprovada por evidência clínica - foi elevada ao status  de um produto de bem-estar para a classe média ascendente da China que agora apresenta cremes faciais, doces e licores, bem como uma grande variedade de preparações medicinais.

Há indicações que supostamente ajudam pessoas com anemia, acne, aumentar a sua energia, melhorar o seu sono,  prevenir o câncer, fazer você parecer melhor e melhorar a sua libido. É faturado, em suma, como um elixir milagroso.

No condado de Dong'e, uma província remota que abriga quase 90% de todas as fábricas chinesas de ejiao, dezenas de lojas ejiao se estabelecem nas ruas da cidade. Existem anúncios de propaganda em outdoors e em paradas de ônibus. O aeroporto mais próximo, na cidade de Jinan, tem cabines vendendo ejiao e carne de burro fresca, uma iguaria regional. 


Dong-E E-Jiao (Deej), o maior produtor do mundo, tem sede que inclui sete prédios de fábricas monolíticas, uma gigantesca sala de conferências, um centro de visitantes que se assemelha ao icônico estádio Bird's Nest de Pequim e um lago impecavelmente paisagístico.

Os produtos mais caros da empresa, preparados de acordo com o costume do solstício de inverno a cada ano, custam £ 2.900 por 250g nas lojas Deej com desconto. Em  2016 as ações da Deej (cotado na Bolsa de Valores de Shenzhen) divulgou vendas de £700 milhões - mais do dobro de sua receita há quatro anos.

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Mas por trás da fachada deste setor cada vez mais brilhante, com a colocação de produtos em programas de TV chinesas e embalagens brilhantes, é um comércio internacional que está crescendo em economias rurais ao redor do mundo.

De acordo com as estatísticas da indústria, a produção chinesa de ejiao consome algumas peles de burro por ano. Os burros da China totalizavam 11 milhões de indivíduos há duas décadas, mas essa cifra caiu abaixo dos 6 milhões, tanto em consequência da expansão da produção de ejiao como da migração em massa de chineses rurais, que anteriormente criaram burros. A oferta doméstica é limitada a menos de 1,8 milhões e isso deixa Deej e seus concorrentes menores, dependentes das importações.

Aqui é onde os problemas começam. Em menos de uma década, a demanda por fornecedores influiu nos preços do burro como por exemplo no Quênia cujo o custo de um burro  mais que triplicou no ano passado. Comunidades que dependem de burros como animais de sustentação já não conseguem manter o que era abundante e barato. 

Primeiro domesticados na África há cerca de 5.000 anos atrás, burros apoiaram meios de subsistência  ao redor do mundo por centenas de gerações, adeptos do uso para transportar cargas pesadas e temperamentalmente fáceis de manusear. A emergência súbita como mercadoria negociada globalmente interrompeu os ciclos tradicionais de uso: em todo o mundo, os burros não mais valem mais vivos, somente mortos.


Alguns países estão agora pressionando o comércio internacional. Nove governos africanos (Botswana, Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Gana, Tanzânia e Uganda) proibiram as exportações de peles de burro, com mais quatro (Burkina Faso, Botswana, Tanzânia e Etiópia) fechando matadouros financiados por empresas chinesas. Gambia, Malawi e Zimbabwe expressaram preocupação, mas ainda não introduziram uma proibição.

Mas em resposta a demanda do comércio os criadores mudaram-se para o submundo com uma rede mafiosa de traficantes montando fábricas ilegais pela China e África.

"Ainda estamos vendo exportações ilícitas de todos os países que tomaram posição contra a venda de peles de burro", diz Alex Mayers, do Donkey Sanctuary, uma instituição de proteção animal do Reino Unido que publicou um relatório sobre o comércio em janeiro. "Não há como garantir que os níveis atuais de demanda possam ser sustentados".

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Uma má regulamentação levou a uma explosão de roubo de burro. No Quênia, os inspetores registraram quase 1.000 animais roubados entre dezembro de 2016 e abril de 2017. Philemon Sibaya, um agricultor de subsistência na África do Sul, que costumava administrar um negócio de entrega informal com reboques de burro construídos a partir de peças de veículos antigos, teve seus burros roubados em novembro passado. Ele costumava permitir que eles passassem livremente à noite, amarrando suas patas traseiras para impedir que eles se afastassem demais. "Mas naquela manhã não consegui encontrá-los", diz Sibaya.

Um homem chinês visitou a aldeia algumas semanas antes, procurando comprar burros. Sibaya se recusou a fornecê-lo, sem saber o que o homem queria. "Meus burros colocam comida na mesa. Eles construíram esta casa e colocaram meus filhos na escola ", diz Sibaya. Alguns dias depois do sumiço dos animais, ele encontrou os cadáveres, todos menos um, esfolados. "Não há nada que eu possa fazer, mas aceitar a situação", diz ele. "Não posso trazer meus burros de volta".

"Tivemos muitos casos como este", diz Mishack Matlou, um inspetor local do SPCA que chegou à cena logo depois. Poucos meses antes, ele defendeu dois adolescentes que roubavam burros em uma vila vizinha. "A comunidade queria matar aqueles meninos, então eu os tranquei dentro da minha van", diz ele. "Esta é uma área pobre e eles precisavam do dinheiro. Alguém lhes ofereceu £ 25 para o trabalho ".


As instalações de "abate arbusto" não regulamentadas estão se multiplicando em toda África, Ásia e América do Sul. Em um site na África do Sul em agosto passado, um intermediário que pediu para permanecer anônimo comprou 25 burros para um exportador chinês e observou como os aldeões os matavam com facas e martelos. O exportador foi preso em Joanesburgo alguns meses depois por declarar falsamente um carregamento de peles para Hong Kong.

"Foi ruim ver os animais sofrerem", diz o intermediário, que já não troca peles de burro. "Eles gritaram cada vez que seus companheiros morriam".

Alguns governos estão tentando regular o setor. Em fevereiro, na África do Sul foram anunciados planos para construir matadouros e treinar produtores de burros. "Os projetos aliviarão a pobreza, abordarão a desigualdade e vão criar empregos decentes", afirmou um comunicado da imprensa. Mas, de acordo com o Dr. Langa Madyibi, do departamento veterinário provincial, houve pouca evolução nesta iniciativa, além de formar um Comitê Técnico de Donkey e enviar uma delegação de governo à China no ano passado. "Ainda temos que descobrir os detalhes, incluindo o nosso modelo de produção. Há uma ampla gama de partes interessadas para consultar ", diz Madyibi.

Alguns programas similares em África começaram a parar após protestos comunitários (na Etiópia, Uganda e Tanzânia) e proibições nacionais de exportação (no Botsuana). Mas outros estados receberam a oportunidade de investimento como o Quênia que abriu três matadouros nos últimos 18 meses e a Namíbia preparou dois.

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À medida que os governos lidam com os custos e os benefícios ofertados pela China, o setor de ejiao rola, produzindo mais de 5.000 toneladas de gelatina por ano. A escassez de peles levou a uma crescente fraude de produtos, com os fabricantes que substituem cabos, bois, porcos e até mesmo calçados de couro como matéria-prima. Deej, no entanto, mantém uma reputação de autenticidade e ganhou vários prêmios de prestígio, incluindo a Marca chinesa do Ano de 2016. A empresa tem um "quase monopólio" em peles de burro e representa quase 70% de todas as vendas de ejiao, de acordo com um relatório da indústria.


Em agosto, Deej rejeitou várias centenas de peles de cavalo de um lote entregue pelo comerciante Yang Shihui do Dong'e County. "Eu não sabia que eles estavam misturados lá", diz Yang, que vem fornecendo a empresa por mais de 30 anos. As peles estão em um monte ao lado dele, emaranhadas e apodrecendo. "Vou vendê-los para uma empresa de alimentação de frango em vez disso".

Deej, a empresa estatal, não respondeu a perguntas escritas do Guardian.

A uma curta distância do quintal de Yang é uma reserva de Deej com dezenas de milhares de peles. As peles são amassadas em paletes de transporte e cobertas com lonas. Existem mais de 20 pilhas, cada uma maior do que um microônibus e  inúmeras outras ficam fora de vista. Os guardas de segurança agitam seus braços para evitar fotografias, gritando: "Pare! Vamos prender você! "

Um pouco mais acima da estrada são dois hotéis temáticos de ejiao de propriedade da Deej, com arte de burro nas paredes e exibições de produtos na recepção. Um slogan da empresa na entrada declara ejiao "um tesouro nacional".

Liu Yanan, que primeiro comeu gelatina de burro como adolescente, ainda vive no condado de Dong'e. Agora, 26, ela trabalha como agente para uma pequena empresa ejiao chamada Fu Shang Kang, publicando anúncios diários de mídia social. Ela toma diariamente o ejiao, às vezes alimentando pequenas doses para o filho, que são três. "Eu não pareço uma mãe", diz ela, "por causa da ejiao. Isso o mantém jovem. "

Esta história foi apoiada por uma doação do Projeto de Relato África-China, gerenciado pelo Departamento de Jornalismo da Universidade do Witwatersrand.

Fonte: The Guardian
Tradução livre do Google para "O Grito do Bicho"
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